Tenho lido diversos artigos, visto fotos e reportagens sobre o ato de "abraçar uma árvore", entretanto nunca me propus, nem me interessei em abraçar uma. Sempre houve um ceticismo meu em relação a certas técnicas e terapias, sejam elas holísticas, orientais ou outras do gênero. O fato despertou-me a atenção quando, no último domingo, passeando em uma praça muito arborizada, uma senhora aproximou-se de mim e pediu-me para tirar uma foto sua, abraçando uma árvore.
Sem perguntar-lhe nada, a mulher foi logo explanando os benefícios que tal ato proporciona na vida das pessoas: "Quero sugar a energia desta árvore, pois nos sentimos revigorados e renovados.O poder da natureza é fantástico e maravilhoso!" E continuou ela com suas explicações, dando-me uma verdadeira aula sobre essa técnica.
E por coincidência, esta semana, o assunto mais polêmico em minha casa, foi justamente sobre minha pitangueira: "Você tem que podar essa árvore"! "Olha o chão, como está sujo"! "Os galhos agarram no teto do carro"!
Essas reclamações são constantes, porém, amo tanto meu pé de pitanga e não corto um galho sequer. Ela cresceu do jeito que sempre imaginei uma árvore - baixa e com a copa formando uma alameda. Está sempre verdinha e carregada de frutos. Também nasceu ao acaso. Algum pássaro ou morcego deve ter deixado cair uma semente naquele lugar estratégico, exatamente onde eu queria uma árvore, como se a natureza estivesse conspirando espiritualmente para que nascesse ali.
Desde o dia em que estive com aquela senhora desconhecida, passei a observá-la mais e, surpreendentemente, quando a olho, parece que ela está me observando e agradecendo por deixá-la intacta. Seus frutos parecem olhinhos vermelhos me fitando, querendo estabelecer um diálogo comigo. Meu ceticismo está se esvaindo...
Nunca a abracei literalmente, mas ela já foi "abraçada" por quase todos - pelos amigos, que sempre pedem umas folhas para chá e comem seus frutos; pelo meu neto, que faz dela sua "casinha da árvore"; pelos pássaros, que nela fazem seus ninhos; pela minha cadela, que aproveita sua sombra para descansar e por mim. Não a abracei, no sentido de "envolver com os braços", mas a adotei e cuidei dela. O verbo "abraçar", não precisa necessariamente, ter o sentido de contato físico com outro ser ou coisa.
Seria muito bom se cada pessoa pudesse "abraçar uma árvore", como eu abracei a minha. A natureza agradeceria muito.
Maria Helena Fonseca
27 de outubro de 2012
Adoreiiiiiiiiiiiiiiiiii!!! Eu também abraço o pé de pitanga,comendo cada frutinha deliciosa!! rs
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