MUSICAS DA HELENA

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Barquinhos de papel


Em cada um escrevia seus sonhos, e, assim soltava-os nas águas barrentas que se formavam no quintal, após as tempestades. Qualquer papel que encontrava, dali surgia um barquinho , ficavam esperando a postos a hora da partida. Seus olhos brilhavam de felicidade ao prenúncio de um temporal. Podia, assim, soltar seus sonhos. Eram sonhos de criança, mas sonhos de partir para lugares distantes e conhecer outras pessoas, além daquela , do seu mundinho. Ninguém notava, ficava ali, sozinha, colocando-os um a um na água, seu pensamento viajava. Viajava no tempo, vendo-os distanciar, Alguns afundavam, eram desmanchados pela água e lama; outros seguiam adiante.
Às vezes, os sonhos colocados eram outros. Sonhar..sonhar era sua vida.
O que foram feitos dos outros sonhos? Não sabe responder, só sabia que amava temporais e barquinhos de papel.

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