MUSICAS DA HELENA
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Lembranças e saudade
Finalmente chegamos ao mundo perdido dos Goytacazes.
Antes presumimos ser uma estrada abandonada, mas não era. Estávamos no lugar certo, as porteiras já eram nossas conhecidas. Tínhamos chegado ao Peão. A escuridão era imensa, de longe era possível enxergar luzes de pequena intensidade e a casa perdida no meio de uma imensidão de terras.
A princípio ficamos assustados, viajamos o dia todo e não tinha ninguém no local para nos receber. Só muitos cães latindo sem parar, incomodados com a presença de estranhos e o gado mugindo no curral.
A 500 quilômetros de casa, percebíamos a imensidão em que Goytacazes se baseava, e com grata sinceridade, pensamos com um ar de surpresa: "É realmente lindo!"
Ficamos estáticos e maravilhados com a beleza que nos era apresentada. Olhamos para o céu, completamente estrelado, então pudemos observar com clareza : Como é perfeita a natureza!
Emocionados, ficamos contemplando a Via-láctea. Esquecemos de que estávamos sozinhos e sem ter para onde ir. A beleza extasiante do local nos hipnotizou de tal forma que foi-se embora o cansaço e a fome.
Voltamos à realidade e percebemos que não havia luz. As pequenas luzes vistas ao longe eram apenas os vagalumes dando sua volta ao redor do mato.
Bastava uma vela, e era possível saber que a eletricidade é apenas um privilégio, não necessário para transmitir o valor da fé e da religiosidade das pessoas.
Lembramos então que era véspera de Nossa Senhora do Porto, padroeira do local, fato confirmado pela procissão de cavaleiros que cruzamos na volta. Estavam todos na igrejinha local.
O desespero começou a nos tomar conta. Sem combustível, o único posto existente ficara para trás e pela hora deveria estar fechado. A saudade de casa bateu fundo em minha alma.
"A saudade é como um breve pico de luz, que brilha com clareza no fundo de nosso peito, parece o fim. Mas um fim que não nos tornara distante nestes anos."
Este era meu pensamento quando chegamos à casa de nossa querida prima Eva. Enfim, lembramos que no caminho havia a casa de uma prima de meu avô, que nos recebeu com alegria e aquele calor humano, que só existem em pessoas especiais e simples da roça.
Começamos a relembrar os momentos felizes, quando meu avô ainda era vivo. Percorríamos essa imensidão a cavalo e depois íamos tirar o leite da vaca.
Pensei: " Lembrança tão perfeita quanto o próprio momento vivenciado".
Como era bom!
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Lucas Boni
26 de setembro de 2012
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Contribuição do meu querido neto, Lucas de Souza. História que vivenciamos em uma viagem a Campos dos Goytacazes, Rj.
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