Feliz da vida arrastava a mala pelas ruas da cidade. Cansada, mas feliz. Era nosso último dia na Itália. Já que no dia seguinte retornaríamos ao Brasil. Saboreando os últimos momentos da viagem nem prestava atenção a minha amiga que falava comigo:
_ Cuidado com os carros!
_ Olha o sinal!
O trânsito em Milão não difere do nosso. Nunca sabemos qual é a mão e a contra-mão. Em se tratando de congestionamento é o mesmo que estar no centro do Rio de Janeiro. Esse é um problema que atinge todas as grandes metrópoles, o contingente de carros e pessoas são muitos e a cidade não comporta tamanho tráfego.
_ Olha a bolsinha, põe dentro da mala para não perdê-la!
_ Cadê sua máquina, cuidado para não esquecer em algum lugar!
Absorta, meio perdida numa terra estranha, tentava responder, porém meu pensamento estava voltado para os monumentos históricos que acabara de conhecer. Não estava tão excitada pelas compras e sim, fixada pela beleza da arte italiana: pelo "Monumento a Leonardo da Vinci", pela " Catedral Duomo", pelo " Castello Sforzesco"... Meu pensamento voava pela história de séculos atrás. Não sentia saudades de casa, e sim, do que estava deixando para trás.
_ Vamos tomar um táxi, o hotel fica longe, e arrastando essas malas não dá.
_ Vamos. Finalmente consegui balbuciar algumas palavras.
_ Temos muitas coisas para arrumar nas malas antes de partir, respondi com um sorriso. Como se o meu sorriso servisse de desculpas pela pouca atenção que lhe dera.
Encontramos um táxi logo na primeira esquina. Mostramos o cartão do hotel , o taxista assentiu com a cabeça. Entendemos que ele conhecia o hotel em que estávamos hospedadas. Gentilmente o homem colocou nossas malas no porta-malas e partimos. Temos que elogiar os italianos em matéria de gentileza com turistas, é uma opinião individual, mas foi a impressão que tive.
Fiquei imaginando: "na certa ele deve ter achado estranho duas turistas arrastando malas pela cidade". É que nós mulheres não resistimos a promoções e novidades, ainda mais estando em uma cidade que é a capital da moda mundial _ Milão. Tivemos que comprar outra mala para caber tudo que compramos.
Avistei uma loja que estava com promoção de malas. Entramos.
_ Olha só, que linda essa lilás! Minha cor favorita, só custa 49 euros. Falei como se fosse baratinha.
_ Questo è l'ultimo, falou a vendedora.
_ Que pena! Eu também gostei dela, disse minha amiga meio triste.
_ Não tem problema, levo a vermelha. E levamos mais coisas, inclusive levei uma carteira lindíssima. Foi assim que saímos arrastando malas em plena Galleria Vittorio e posteriormente nas vias de Milão.
Durante o trajeto fiquei imaginando se colocara a sacola com a carteira que tinha acabado de comprar, junto com as malas. Estava tão atordoada com o dia movimentadíssimo que só naquele momento, dentro do táxi, é que dei-me conta do aviso da minha amiga: " olha a bolsinha"!
Entretanto a conversa interessante dela com o taxista desviou meu pensamento e fiquei prestando atenção entre a conversa dos dois.
Pensei: "ela deve entender italiano, o papo está tão animado".
_ Quando arrive a casa albiano parlato.
_ Não é na nossa casa moço, é no hotel.
_ So che l'hotel è.
_ Il traffico è troppo pieno, falava o taxista meio nervoso.
_ Ih! Aqui também tem tráfico! Falou ela nervosa..
_ Não é tráfico, é o tráfego que está intenso, respondi.
Então percebi que o taxista estava conversando ao celular com outra pessoa e ela não entendia nada da língua italiana. Pensou que ele estivesse falando conosco.
_ Olha você está respondendo ao motorista, e ele está é falando ao celular, disse baixinho.
O taxista deu um sorriso, como se dissesse: " essas duas devem estar piradas".
Muito sem graça, minha amiga comentou:
_ Que mico!
Finalmente chegamos ao hotel. Rimos muito da nossa aventura e principalmente da suposta conversa com o taxista. Minha sacola com a carteira, infelizmente ficou perdida, ou dentro do taxi ou nas ruas de Milão.
Há certas coisas que devemos notadamente aprender quando estivermos fora do nosso país: entender um pouco de outro idioma e comprar menos.
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