Meus pensamentos hoje, coincidentemente, foram sobre coisas concretas. Amigos concretos, amores concretos, sentimentos concretos.
Basta de platonismo, de ficar idealizando fatos que nunca irão concretizar-se. É ao meu ver, pura perda de tempo. Pode ser puro radicalismo, mas infelizmente é a dura realidade.
Sonhar é preciso, mas concretizar os sonhos, melhor ainda.
E, perdida nestes pensamentos, pego uma coca-cola e abro um livro, deparando-me com uma poesia concreta:
beba coca cola
babe cola
beba coca
babe cola caco
caco
coca
cloaca
Poesia esta, conhecida por quase todos, do grande poeta concretista, Décio Pignatari, que nos deixou hoje, aos 85 anos. Coincidência? Pode ser.
Quem a lê, às vezes, despreza por achar que não tenha nenhum conteúdo literário. Nada que desperte interesse, entretanto, é rica se vista pelo lado histórico e estético.
É inovadora em vários campos: semântico, sintático, léxico, morfológico, fonético e topográfico.
O primeiro passo é sentir a experiência concreta e depois examinar seus princípios teóricos sem prévio assentimento nem apressada rejeição.
O assunto é amplo, mas podemos afirmar que ela não é carente de um conteúdo psíquico e ideológico. Não significa que o poeta não vê sentido no seu mundo. E, na verdade, não é difícil reconhecer nos poemas concretos o universo referencial que a sua estrutura propõe comunicar: aspectos da sociedade contemporânea, assentada no regime capitalista e na burocracia, e saturada de objetos mercáveis, de imagens de propaganda e sentimentalismo comerciais.
Adeus, Décio, descanse em paz!
Faz-se necessário que novos poetas surjam, com poesias inovadoras, que toquem a alma humana e retratem a realidade. A nova geração precisa! Senão ficaremos restritos a relembrar velhas poesias e a nossa literatura estará sujeita a extinguir-se.
E o mundo precisa de poesia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário