MUSICAS DA HELENA

domingo, 9 de dezembro de 2012

Os cavaleiros do apocalipse

Conversando com um professor de escola pública sobre os rumos da educação pública no país, a situação das escolas e as últimas políticas implantadas; ele pediu-me então, minha opinião:
"Péssimo", respondi com certo desânimo. Não respondi pensando somente na desvalorização do professor, nem pensando na minha mísera aposentadoria como antiga professora da rede estadual do Rio de Janeiro. Respondi pensando em milhares de jovens que a frequentam  e muitos deles, entretanto, nem sabem o porquê de estarem ali. Sem ideais, sem perspectivas nenhuma para o futuro e consequentemente, frutos de uma geração o qual deixou a educação dos filhos totalmente entregue aos profissionais de ensino.
Foram quatro décadas dedicados à educação e acompanhando de perto o declínio do nosso sistema educacional, e o que vejo, não é um futuro promissor. Deveria ser o contrário: crescer, não decrescer. A educação pública está cada vez mais se afundando. Com projetos importados, pessoas sem preparo para gerir e implementar políticas educacionais que visem melhorar a qualidade do nosso ensino.
E o pior, o professor sendo cada vez mais desvalorizado, não só mal remunerado, mas também, desrespeitados por todos ( alunos, diretores, pais, governo e sociedade ).
É uma lástima que tudo isso esteja acontecendo, chego finalmente a conclusão de que estamos fazendo pouco. Somos vítimas desse sistema  e nos fazemos de vítima quando cruzamos os braços e só reclamamos.
O tal professor foi chamado de "cavaleiro do apocalipse" por alguns colegas, pelas suas visões pessimistas, porém eu admiro sua visão e compreendo sua revolta quanto a situação em que se encontram os professores da rede estadual do Rio de Janeiro.
Como professora aposentada, não presencio, mas acompanho passo-a-passo cada medida tomada.
Considero "os cavaleiros do apocalipse", não quem tenha uma visão realista em torno do assunto, mas os que tem o poder de mudar e não o fazem. Visto que, estão preocupados com índices, com metas para fins econômicos do mercado internacional e não mais que isso.
Posso citar alguns os quais podemos intitular "cavaleiros do apocalipse:"
Dilma, que defende a reforma da educação, pelas empresas privadas; Sérgio Cabral e Eduardo Paes, cada vez mais destruindo a educação do nosso estado.
Venho assistindo há anos a implementação de diferentes políticas  destinadas à educação, do tipo: "Ah! vamos importar da Espanha o Construtivismo"! "Vamos copiar do Japão tal modelo"!  Mesmo  sabendo que não deu certo nesses países, investem milhões. E não dão certo aqui, sabem por quê?
Porque ficam em seus gabinetes, não conhecem a realidade de uma escola pública, vivem de teorias e querem culpar o professor pelo fracasso escolar.
E além disso, vão distribuir tablets para os alunos, como se a tecnologia fosse à tábua de salvação. Não sou contra a tecnologia nas escolas, mas levando em conta o fator socioeconômico do público, não estão atacando o mal pela raiz, é mais dinheiro gasto inutilmente.
Não precisamos de alta tecnologia para mudar a realidade atual. Só que sabemos que o objetivo dos governantes não é esse. E antes mesmo de saber se um projeto está dando certo, já estão implantando outro. É brincar com a Educação!
O Secretário de Educação distribuiu nas escolas um livro para o professor, intitulado: " Depende de você". Onde a autora defende a educação pautada nas avaliações externas, na meritrocacia e as escolas devem ser ranquiadas, como se a educação fosse mercadoria.
Fiquei sabendo que o dia 05 de dezembro fora marcado para a devolução do tal livro. Parabéns aos professores que se mobilizaram e o fizeram. É um passo importante. Foi uma pena, porque com tantos professores na rede pública, poucos o fizeram.
Na década de 60, a avaliação das escolas municipais de Duque de Caxias eram feitas pela Secretaria de Educação. Eram 4 avaliações por ano.  Na de 70, quando comecei a lecionar tínhamos supervisoras, tanto no estado quanto no município que assistiam às nossas aulas e avaliavam o nosso desempenho. Mas os tempos eram outros, vivíamos uma Ditadura.
A partir da década de 80, com a implantação da aprovação automática, houve um declínio considerável no ensino.
Agora, "amigos" professores, vocês tem o poder nas mãos e podem usá-lo, basta  não se acomodarem, unirem-se e irem à  luta. Lutem por mais dignidade e respeito!
Voltando ao título do livro: "Depende de você". Que título irônico!
Futuramente, vocês pode ser substituídos por robôs. Dependem de vocês! Usem tudo que estejam ao seu alcance, para que os poderosos não consigam seu intento.

   

5 comentários:

  1. Os políticos buscam em outros páises idéias parq eu consigamos melhorar a nossa educação. Acho que não estam errados!

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  2. Não concordo, em nosso país há pessoas inteligentes e capazes e conhecem a nossa realidade. Acho que ESTão errados. Só para gastar o dinheiro público.

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  3. Lembro quando implantaram o construtivismo em Pernambuco seguindo o modelo belga que não tinha nada a ver com a nossa realidade. Empurraram goela a baixo sem oferecer a mínima estrutura. Foi uma porcaria. Estamos sofrendo as consequências dessa irresponsabilidade até hoje.

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  4. Agora aqui no Estado Rio de janeiro estão implantando o modelo de responsabilização importado dos Estados Unidos. Esse modelo culpa exclusivamente o professor pelo fracasso escolar, pior disso tudo é que tem muitos docentes carregando este fardo, criado pelos governos. Precisamos lutar contra mais esse ataque ao magistério público. Professor não é vendedor e nem executivo para receber comissões/bônus, precisamos de salário decente para viver com dignidade.

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  5. Acho que é uma luta quase invencível. Os moradores de nossa terrinha estão totalmente alienados, distúrbios cognitivos graves e pensam em apenas consumir... consumir, para que pensar ? Nosso presitente não precisou muito para ficar rico.... Porém penso como a carta de Lucinha:
    -Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?
    Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!
    Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!
    E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.'
    Vamo pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.
    Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'
    E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'
    Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quizer, vai dar pra mudar o final!

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